Conduta marcial
Hierarquia Marcial
Os princípios hierárquicos representam a base que assegura a perpetuação do kung fu através dos tempos. Sem tais princípios esta arte marcial chinesa seria um amontoado de socos e pontapés com a finalidade somente de desordem social. É graças á hierarquia de cada ‘família-kung fu’ que a arte é tida desde os tempos mais remotos como instrumento de moldação do caráter humano, garantindo assim, exemplos de moralidade e retidão espiritual.
A hierarquia dentro do kung fu é semelhante àquela usada pelos povos antigos, onde o pai exercia o papel de líder, cabeça responsável pelo sustento e educação (disciplina) dos seus filhos e esposa, o que não deixa de ser uma maneira peculiar de governar. Caso o pai se ausentasse, caberia ao mais velho (esposa ou filho mais velho) proteger e zelar pela ordem da casa. Com a morte do pai, cabia ao filho mais velho defender os mais novos até que cada um adquirisse estrutura suficiente para resolver seus próprios problemas, constituir uma família etc. ![]()
Sem hierarquia não haverá respeito, sem respeito não haverá disciplina; sem disciplina não haverá ordem, sem ordem não haverá equilíbrio. Sem equilíbrio não haverá vida (continuidade). Por este ângulo, percebe-se a importância da hierarquia na perpetuação de uma ‘família kung fu’, onde o mestre (sifu) é o responsável pela veiculação de um estilo. O sifu é a autoridade máxima dentro de uma família-kung fu, seguido pelos seus alunos e discípulos.
De acordo com a tradição, o Aluno Novato deve obediência ao Aluno Mais Velho, que deve obediência ao Grande Aluno Mais Velho, que deve obediência ao ‘Aluno Discípulo’, que deve obediência ao seu Sifu (mestre-pai).
A hierarquia deve ser alimentada para que a arte não perca sua essência. Os bons hábitos devem de início, ser uma obrigação para que com o tempo se tornem naturais. O aluno mais velho deve servir de exemplo aos mais novos que, mais tarde, servirão de espelho aos recém chegados. Como diz o dito popular, o hábito faz o monge.
O bom aluno (de boa conduta, disciplinado e esforçado) tem mais chance de ser um bom professor. Enquanto que um aluno indisciplinado, de péssima conduta tem mais chance de ser um professor problemático, irresponsável.
É de cedo, enquanto o bambu ainda é jovem que deve se moldá-lo ao modo correto, na forma desejada. É de cedo, quando ainda jovem que o aluno praticante deve experimentar o caminho da retidão, da boa conduta; educado nos princípios filosóficos da arte marcial escolhida.
Etiqueta Marcial
Não é correto exibir seus conhecimentos marciais, exceto quando estritamente necessário;
Nem correto se meter em encrencas, exceto para defender sua vida ou a de outrem, quando estritamente necessário;
Escolher com sabedoria a comida, bebida, amizades e lugares para freqüentar;
Ao chegar ao recinto marcial o aluno deve saudar (cumprimento tradicional chinês) o local. O gesto é silencioso, a linguagem deve sair do coração, sem hipocrisia. Após saudar o local o estudante cumprimenta (sempre com os gestos tradicionais) de modo particular, o sifu e, em seguida, cumprimenta de uma só vez, seus ‘irmãos-kung fu’;
Antes de dar início à aula todos devem cumprimentar o mestre. Se por acaso a aula for iniciada por um aluno mais velho, o mesmo cumprimento é usado para ele como sinônimo de respeito. Ao fim do treino os mesmos gestos de saudação devem ser realizados;
Ater-se aos exercícios e acatar as explicações do mestre;
Ser solidário com seus colegas de treino e ajudá-los quando necessário;
Ser aplicado e nunca esquecer as lições;
Ser civilizado e nunca se enfurecer;
Não se deixar levar pela preguiça e torpor;
Ater-se ao próprio treino e não ficar de conversa com o colega;
Zelar e manter limpos o uniforme e o próprio corpo;
Zelar, manter limpo e organizado o local de treino;
Não fazer uso de equipamentos e aparatos de treino sem permissão do mestre;
Não praticar técnicas que ainda não lhes foram ensinadas;
Evitar praticar técnicas avançadas diante de alunos novatos ou de pessoas desconhecidas;
Ser cortês e gentil para com todos;
Trabalhar pela proliferação da arte e da ‘família-kung fu’;
Evitar falar mal de outros estilos e professores;
Zelar pelos princípios hierárquicos e genealógicos da escola;
Calar-se quando o mestre ou um colega estiver falando;
Sentar-se somente depois do mestre;
Permitir ao mestre andar sempre à sua frente;
Na necessidade de se ausentar do recinto, o aluno nunca deve fazê-lo saindo pela frente ou pelo meio da classe e sim, por detrás dela;
Ao tomar chá, o aluno deve esperar que o mestre o faça primeiro;
Caso o mestre do seu mestre (avô-kung fu) esteja no recinto de treino, ele deve ser digno primordial de atenção e respeito;
Repetir o mesmo exercício ou técnica quantas vezes o mestre achar necessário;
Entender que quando o mestre insiste numa técnica específica para cada pessoa, está aprimorando o wing chun kung fu de acordo com cada físico;
Defender o estilo e ser fiel à sua tradição;
Não é correto pedir ao mestre para ser ensinado uma nova técnica. O mestre sabe o momento certo de fazê-lo;
Nenhum exercício ou técnica deve ser transmitido sem o consentimento expresso do mestre;
O aluno deve sempre se dirigir ao mestre de acordo com os princípios hierárquicos e genealógicos de sua arte;
O casaco (blusão usado no kung fu) tradicional serve para diferenciar o mestre do aluno. Não é correto ao aluno não graduado fazer uso da veste;
Cada aluno deve fazer uso do uniforme condizente ao seu estágio de graduação;
Não é correto fazer uso de uniformes (símbolos etc.) pertinentes à outra família ou estilo. Tal atitude caracteriza como atos de desrespeito e traição;
Não é ético fazer uso do uniforme fora do recinto de treino, exceto em ocasiões especiais;
O aluno deve esforçar-se em aplicar os preceitos do kung fu tanto no convívio familiar quanto no social.










